A ocupação humana da Chapada Diamantina

February 8, 2019

As pesquisas arqueológicas empreendidas no território da Chapada Diamantina, se valendo especialmente das pinturas rupestres e gravuras nos paredões, abrigos e grutas de diversas formações rochosas, mostraram que os primeiros assentamentos humanos datam de aproximadamente 10 mil anos atrás.

 

Esses povos mantiveram uma vida estável, fundada em atividades de subsistência, até os primeiros contatos estrangeiros que chagaram as serras centrais da Bahia no século XVI, integrando expedições de sertanistas, as conhecidas bandeiras portuguesas, interessadas em riquezas minerais, além de ouro e, principalmente, diamantes, e também em índios para trabalho escravo.

 

A partir da formação de um movimento de desbravamento do sertão, em 1549, os povos indígenas começaram a desaparecer.

 

A participação dos portugueses vindos do litoral da Bahia na desterritorialização dos grupos indígenas e na consequente ocupação colonizadora da Chapada Diamantina, se intensificou a partir de meados do século XVII, devido a expulsão dos holandeses do país, que recolocou os colonos na direção do interior nordestino.

 

Com as descobertas das jazidas de ouro, quase que simultaneamente, nas regiões sul e norte da Chapada Diamantina, no século XVIII, houve a possibilidade do assentamento de embriões de povoamento, começando pelo povoado que se formou na borda do Rio de Contas Pequeno (atual Rio Brumado), que mais trade se transformou na cidade de Rio de Contas.

 

Atividades econômicas: pecuária, mineração e agricultura.

 

A ocupação da região da Chapada Diamantina se desenvolveu e ganhou expressividade entrelaçando interesses pecuaristas, fundiários, agrícolas e mineradores com os de comerciantes do abastecimento interno e de longo curso e no controle da circulação de mercadorias, dos caminhos, dos escravos e do ouro.

 

A pecuária

As condições naturais de clima favoráveis e pastagens nativas da Chapada Diamantina, além da necessidade de evitar o confisco de gado pelos combatentes, forcaram um processo de interiorização da pecuária, fazendo com que a atividade chegasse à região.

 

No início do século XVIII, havia nos sertões da Bahia mais de 500 criatórios. Somente na borda do rio São Francisco, eram registrados 106 fazendas.

 

Apos a expulsão dos holandeses, a pecuária se intensificou no território chapadino, tornando o gado um dos principais fatores da conquista do território.

 

O novo sistema socioeconômico implantado na Chapada Diamantina, ao menos inicialmente, não abriu mão do trabalho escravo. Pelo contrário, havia ali a presença de muitos proprietários de escravos, que espalhavam seus escravos pelos estabelecimentos agrários, empregando-os em diversas funções.

 

Agricultura

A interiorização da pecuária e a ocupação efetiva do interior da Bahia, conduziram os primeiros empreendimentos de agricultura, que tentaram dar conta do abastecimento local, comprometido pela distância existente entre a região e o litoral, onde se concentravam os principais produtores de alimentos, e pela precariedade das vias de transporte.

Os cultivos foram predominantes: milho, feijão, mandioca, algumas frutas e verduras para os moradores.

 

Além da produção de alimentos, desde finais do século XVIII, passou-se a cultivar o algodão, do qual se produzia, em teares manuais nos fundos das casas pecas de vestuário, cama, mesa e banho e despachava significativos excedentes para Salvador, de onde se exportava para França e a Inglaterra, para alimentar os teares mecânicos da primeira fase da Revolução Industrial.

 

Com efeito, o cultivo do algodão, em larga escala, fizera das serranias centrais da Bahia um dos mais ricos lugares do sertão.

 

 

 

Mineração

Mas o grande momento da economia da região da Chapada Diamantina veios com a exploração de minérios e, especialmente, de ouro e diamante, a partir do século XVIII.

 

As primeiras descobertas de jazidas de ouro ocorrem no norte do território chapadino, na região da atual cidade de Jacobina.

 

Logo após, foram encontradas jazidas nos aluviões do Rio de Contas Pequeno (atual Rio Brumado), fato que resultou na fundação do primeiro povoado na região, que mais tarde se tornou a cidade de Rio de Contas.

 

Os dois polos de produção aurífera – Jacobina e Rio de Contas – se mantiveram em intensa atividade por quase um século.

 

Nos primeiros anos do século XIX, veio a decadência da produção aurífera das serranias centrais da Bahia, devido a escassez do ouro e pelos altos impostos cobrados pelo governo para la exploração.

 

Em consequência, a região começou a sofrer um esvaziamento e as cidades, agora em crise, apenas puderam enfrentar a nova realidade gracas à reconhecida habilidade de seus artesãos com metal.

 

Mas ainda na primeira metade do século XIX, o renascimento econômico voltou com a descoberta de grandes depósitos de diamantes no leito do Rio Mucugê, que iniciou a fase mais próspera e faustuosa da história da Chapada Diamantina.

 

As lavras diamantinas se mantiveram prósperas ate por volta de 1897, quando a descoberta de grandes jazidas de diamantes na África do Sul tornou modesta a produção dessa pedra preciosa na Bahia. O declínio demorou um século, estabelecendo uma estagnação econômica na Chapada Diamantina o que fez motivo também o crescimento do fluxo emigratório principalmente para o Sudeste do Brasil.

 

O município de Lençóis, por exemplo, no auge da mineração, 1872, teve uma população de 24.913 habitantes que se reduziu, em 1990, para 4.758 moradores.

 

A partir da segunda metade do século XX um novo elemento em interferir no perfil econômico da Chapada Diamantina resultante dos investimentos em empreendimentos turísticos, que souberam aproveitar a riqueza de seus recursos naturais, expressa através de grandes e exuberantes serras, morros rochosos, densa mata, rios perenes encachoeirados e balneáveis.

 

O primeiro passo foi dado pela prefeitura de Lençóis criando o Conselho Municipal do Turismo, iniciativa que determinava o abandono da predatória estacionaria economia de garimpos de diamantes.

 

Mais tarde, a fundação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, proporcionaram ao Governo do Estado as condições essenciais para a implantação e o incremento de programas ecoturísticos. Como resultado, passou-se a vender uma imagem de natureza intacta.

 

 

Nesses últimos anos na Chapada Diamantina estão sendo implantados polos agroindustriais, baseados no sistema de culturas irrigáveis, com destaque para quele localizado nos municípios de Mucugê e Ibicoara. Também o desenvolvimento do cultivo do café em diversos municípios com produção certificada e premiada nacionalmente.

 

A introdução dessas novas atividades fez com que os tipos humanos comuns da Chapada Diamantina como vaqueiro, os tropeiros, mascates e ourives, fossem sobrepostos por novos personagens sociais.

 

 

 

 

 

 

 

Please reload

Posts Em Destaque

Welcome to Chapada Diamantina

January 15, 2019

1/1
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
LOGO Diamantina Native Guide white.png
WHATSAPP_2.png

55 (75) 99917-5448

  • Facebook - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle
  • TripAdvisor - Círculo Branco

55 (75) 99901-7289

Copyright © 2019 por Diamantina Native Guides - Todos os Direitos Reservados